Greening e as adversidades que estão redesenhando a citricultura brasileira

Do campo à indústria, o avanço do HLB, os desafios climáticos e a necessidade de maior eficiência estão mudando a dinâmica de uma das cadeias mais estratégicas do agronegócio brasileiro.

A citricultura brasileira vive um período de profunda transformação. O setor continua sendo referência mundial em escala, tecnologia e processamento, mas precisa administrar simultaneamente desafios fitossanitários, climáticos, econômicos e operacionais que afetam desde o pomar até a disponibilidade de derivados cítricos.

Entre esses desafios, nenhum ganhou tanta relevância nos últimos anos quanto o greening, ou HLB. A doença é hoje um dos principais fatores de pressão sobre a produtividade dos pomares e exige manejo contínuo, regionalizado e cada vez mais técnico.

Greening: um desafio que já atinge quase metade das árvores

Segundo o levantamento anual do Fundecitrus, em 2025 o greening atingiu 47,63% das laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro. O índice foi superior aos 44,35% registrados em 2024, embora o ritmo de crescimento da doença tenha desacelerado pelo segundo ano consecutivo.

Há também sinais relevantes de evolução no manejo. O mesmo levantamento apontou redução de 51,4% da incidência em pomares de 0 a 2 anos e de 17,1% em pomares de 3 a 5 anos, indicando que escolha de áreas, renovação de pomares e melhoria das práticas de controle podem produzir resultados.

47,63% das laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro apresentaram incidência de greening em 2025.

O impacto vai muito além da árvore

O greening compromete produtividade, qualidade e longevidade dos pomares. Árvores infectadas podem produzir frutos menores, deformados, com maturação irregular e maior propensão à queda prematura. Para a cadeia, isso significa maior custo por unidade produzida, pressão sobre a oferta e menor previsibilidade.

Na safra 2025/26, o cinturão encerrou a produção em 292,94 milhões de caixas de 40,8 kg. O volume foi 26,9% superior ao da safra anterior, mas ficou 6,9% abaixo da estimativa inicial. O Fundecitrus relacionou essa diferença a fatores climáticos, especialmente déficit hídrico, e ao impacto da alta incidência de greening.

A queda prematura acumulada de frutos chegou a 23,2% na safra. O Fundecitrus estimou perda de aproximadamente 88,49 milhões de caixas por queda de frutos, sendo o greening o principal fator individual, responsável por 13,0 pontos percentuais dessa taxa, equivalente a cerca de 49,59 milhões de caixas.

A safra seguinte reforça a necessidade de atenção

Para 2026/27, a estimativa divulgada pelo Fundecitrus aponta 255,2 milhões de caixas no cinturão de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro, uma redução de 12,9% em relação à safra anterior. Entre os fatores que ajudam a explicar o cenário estão a bienalidade, o clima e o avanço do greening.

Em uma cadeia tão integrada, o que acontece no pomar inevitavelmente chega à indústria, à logística, aos mercados e aos clientes.

O setor responde com manejo, renovação e novas fronteiras

A citricultura também vem se expandindo para novas regiões. Em 2026, o Fundecitrus destacou movimentos de expansão em áreas de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, motivados, entre outros fatores, pela busca de regiões com menor pressão de greening.

Essa expansão, entretanto, não elimina o risco. O psilídeo e a doença já estão presentes em regiões de novos plantios, o que torna prevenção, monitoramento e manejo desde a implantação dos pomares essenciais. Entre as medidas reforçadas pelo Fundecitrus estão uso de mudas certificadas, monitoramento frequente do psilídeo, proteção das brotações, eliminação de plantas doentes e adoção de ações integradas e preventivas. Nenhuma medida isolada é suficiente.

As adversidades do setor vão além do greening

O desafio atual da citricultura não pode ser analisado por uma única variável. O setor precisa administrar uma combinação de fatores que afetam competitividade, disponibilidade e custo.

  • Greening e outras pressões fitossanitárias.
  • Déficit hídrico e eventos climáticos extremos.
  • Bienalidade e oscilação natural de produtividade.
  • Renovação e expansão de pomares.
  • Aumento dos custos de manejo e produção.
  • Necessidade de eficiência industrial e logística.
  • Maior exigência por qualidade, rastreabilidade e regularidade.
  • Competitividade nos mercados interno e externo.

Do pomar aos derivados cítricos

Para a Ideal Citrus do Brasil, acompanhar esses movimentos é parte da própria estratégia de abastecimento e desenvolvimento. D-Limoneno, óleo essencial de laranja e outros derivados cítricos começam muito antes da etapa industrial: começam no campo.

Mudanças na produtividade dos pomares, disponibilidade de fruta e dinâmica da safra podem se refletir na oferta de matérias-primas, nos custos e no planejamento de toda a cadeia.

Por isso, compreender a citricultura em sua origem é fundamental para construir relações comerciais mais responsáveis, previsíveis e de longo prazo.

Um setor pressionado - e cada vez mais tecnológico

O cenário é desafiador, mas também mostra a capacidade de reação da citricultura brasileira. O avanço de práticas de manejo, a renovação de pomares, a expansão para novas áreas, o monitoramento fitossanitário e a disseminação de conhecimento técnico mostram um setor que continua evoluindo. A próxima etapa dessa transformação exigirá ainda mais integração entre produtores, pesquisa, indústria, fornecedores e clientes.

Na Ideal Citrus do Brasil, seguimos acompanhando os movimentos da cadeia cítrica e investindo em qualidade, capacidade, desenvolvimento e relacionamento para atender o mercado brasileiro e internacional com cada vez mais consistência.